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HANS JONAS E A DIFERENÇA ANTROPOLÓGICA: UMA ANÁLISE DA BIOLOGIA FILOSÓFICA

WENDELL EVANGELISTA SOARES LOPES

Autor
WENDELL EVANGELISTA SOARES LOPES
Orientador(a)
IVAN DOMINGUES
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2014
2014WENDELL EVANGELISTA SOARES LOPES. HANS JONAS E A DIFERENÇA ANTROPOLÓGICA: UMA ANÁLISE DA BIOLOGIA FILOSÓFICA. 2014. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, MG. Orientador(a): IVAN DOMINGUES.3

A PRESENTE TESE OFERECE UMA INTERPRETAÇÃO ORIGINAL DA BIOLOGIA FILOSÓFICA DE HANS JONAS. MOSTRAREMOS INICIALMENTE QUE A FILOSOFIA JONASIANA É MARCADA PELA DIFERENÇA ANTROPOLÓGICA, A PARTIR DA QUAL O FILÓSOFO EQUACIONA O HORIZONTE DA FILOSOFIA MODERNA TAL COMO O HERDA DE HUSSERL E HEIDEGGER, APROXIMANDO-SE, ENTRETANTO, DO JÁ ANTIGO MOVIMENTO DA ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA, EMBORA DE MODO COMPLETAMENTE INDEPENDENTE. AÍ A FILOSOFIA É CHAMADA A CONSIDERAR, AO LADO DA QUESTÃO FUNDAMENTAL DO SER ENQUANTO TAL, O PROBLEMA DO SUJEITO QUESTIONADOR E COMPREENSIVO DO ENTE COMO UM TODO. NO INTERIOR DESSE VIÉS DA FILOSOFIA ALEMÃ, JONAS ENCONTRA SUA ORIGINALIDADE E INFLEXÃO PRÓPRIA AO CONSIDERAR O HOMEM COMO POSSUINDO UM ACESSO PRIVILEGIADO AO SER POR JUSTAMENTE FAZER PARTE DESSE TODO ENQUANTO O VIVENTE CAPAZ DE CONHECER A VIDA. NESTE SENTIDO, VEREMOS QUE O MÉTODO DA FILOSOFIA JONASIANA É MARCADO PELA DIFERENÇA ANTROPOLÓGICA TANTO AO CONSIDERAR A DIMENSÃO PSÍQUICA, TRAÇO FUNDAMENTAL DA VIVÊNCIA HUMANA, DEIXADA DE LADO NA CONSIDERAÇÃO DA CIÊNCIA NATURAL, QUANTO AO PENSAR O RESTO DA VIDA DESDE A MEDIDA HUMANA – SEM QUE ISTO SE CONFUNDA COM UM ANTROPOMORFISMO INGÊNUO. UMA VEZ DEMONSTRADO ESSA ESPÉCIE CRÍTICA DE ANTROPOCENTRISMO METODOLÓGICO, ACOMPANHAREMOS COMO A DIFERENÇA ANTROPOLÓGICA SE EVIDENCIA NA LEITURA EXISTENCIAL-DIALÉTICA DA LIBERDADE ORGÂNICA EM SEU AVANÇO ATRAVÉS DE SEUS ESTÁGIOS VEGETAL, ANIMAL E FINALMENTE HUMANO. ESTA ANÁLISE NOS ENTREGARÁ UMA CONCEPÇÃO DIALÉTICA DO ORGÂNICO, QUE EM SEU MOMENTO SINTÉTICO NÃO É MAIS MERA AUTO-CONSERVAÇÃO, MAS AUTO-TRANSCENDÊNCIA, E ISTO QUER DIZER, AUTO-PRODUÇÃO AUTÔNOMA DA FORMA VIVENTE FRENTE AO AMBIENTE EXTERNO, MAS TAMBÉM POSSÍVEL TRANSCENDÊNCIA DA PRÓPRIA FORMA ATUAL (EVOLUÇÃO), QUE, EMBORA APENAS INDIVIDUALMENTE ORIENTADA TELEOLOGICAMENTE, ENCONTRA COMO FIM ÚLTIMO DE SEU DESENVOLVIMENTO O ANTHROPOS. COMO ESTÁGIO FINAL E EXPRESSÃO MÁXIMA DO PROCESSO DO SER, A DIFERENÇA ANTROPOLÓGICA SE REVELA NÃO MAIS APENAS COMO UMA CHAVE DE LEITURA DO MUNDO VIVENTE, MAS COMO O MOMENTO DE UMA DIFERENÇA ÚLTIMA, INSTALADA NO SER COMO TODO – NÃO COMO UM ENTE ESPIRITUAL DESENRAIZADO, MAS AINDA ASSIM TRANS-ANIMAL. VEREMOS QUE JONAS AFIRMA RESOLUTAMENTE A DIFERENÇA ANTROPOLÓGICA COMO ESSÊNCIA, INCLUSIVE, TRANSHISTÓRICA NA HISTÓRIA, MARCADA PELA FACULDADE SIMBÓLICA, QUE SE EVIDENCIA NO HOMO PICTOR, ESTA FIGURA DA LIBERDADE EIDÉTICA DO ANTHROPOS, O QUAL SE REALIZA NUMA ESCALADA POTENCIAL QUE VAI DESDE A CONSTRUÇÃO DE FERRAMENTAS, PASSANDO PELAS OBRAS APARENTEMENTE INÚTEIS DA ARTE, ATÉ ALCANÇAR A FORÇA DO CONCEITO RACIONAL E DA RESPONSABILIDADE. POR FIM, VEREMOS QUE AO SER O “PINÁCULO DO SER”, A DIFERENÇA ANTROPOLÓGICA SE TORNA DIFERENÇA ÉTICA, DANDO AO HOMEM O POSTO DE GUARDIÃO DO SER, O QUE EXIGE DELE RESPONDER PELA EXISTÊNCIA FUTURA DA HUMANIDADE E DA BIOSFERA – UM HUMANISMO ÉTICO QUE NÃO SE RENDE, ENTETANTO, A UM ANTROPOCENTRISMO ÉTICO INGÊNUO, MAS CONCEDE À NATUREZA UM VALOR PRÓPRIO, E ADEMAIS SE PRETENDE UMA RESPOSTA EXISTENCIAL-ÉTICA AO PROBLEMA DO NIILISMO.