- Revista
- Cadernos de História e Filosofia da Ciência
- Edição
- 16 / 2
- Ano
- 2017
- Idioma
- pt
O dissenso em torno da caracterização da ciência cartesiana quanto ao seu viés metodológico – considerando que os comentários normalmente deferidos sobre essa ciência oscilam entre o idealismo que a considera como a expressão perfeita do método geométrico (indiferente à experiência) e o pragmatismo que lhe concebe como a expressão de um projeto falido, dada a incongruência entre o método geométrico (proposto) e a prática científica (realizada de fato; mediante um forte apelo à experiência) – parece residir, sobretudo, na relação do método com a experiência. Ao contrário das interpretações acima expostas, defenderemos que a exigência metodológica de uma ciência geometrizável não designa a supressão da ciência experimental, nem hipotética. Essa exigência é normativa: o método cartesiano exige da ciência uma releitura geométrica da experiência. A possibilidade desta leitura está condicionada ao recurso às hipóteses que reconfiguram a percepção sensível mediante a correção da experiência, padronizando-a. Palavras-chave: Hipótese. Experiência. Ciência cartesiana. Método e certeza.
