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Hugo Grotius, ceticismo moral e o uso de argumentos in utramque partem

Marcelo de Araujo

Autor
Marcelo de Araujo
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
56 / 3
Ano
2011
DOI
10.15448/1984-6746.2011.3.8294
Idioma
pt
2011Marcelo de Araujo. Hugo Grotius, ceticismo moral e o uso de argumentos in utramque partem. Veritas (Porto Alegre), v. 56, n. 3, 2011.1

O uso de argumentos igualmente convincentes tanto em prol quanto contra a veracidade de uma proposição era conhecido na Renascença como in utramque partem. Céticos do início da Modernidade utilizaram argumentos in utramque partem visando demonstrar que não se pode fundamentar a moralidade em um terreno sólido, já que os argumentos apresentados em favor da ideia de Justiça poderiam ser neutralizados por argumentos igualmente convincentes contra a ideia de Justiça. Nesse artigo, eu argumento que Hugo Grotius tentou refutar esse tipo de ceticismo moral em seus principais escritos filosóficos, De jure bellic ac pacis e De jure praedae commentarius. Contra os céticos, Grotius procura estabelecer que as razões apresentadas a favor e contra a ideia de Justiça não são incompatíveis entre si.