- Autor
- Rosalvo Schütz
- Revista
- Revista Dialectus
- Edição
- 21
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.30611/2021n21id70903
- Páginas
- 208-225
- Idioma
- pt
Para Ernst Bloch os pequenos sonhos diurnos são uma espécie de forma elementar de esperança, imanentes à vida humana e presentes em todas as suas fases. Estão sempre latentes e, mesmo que desprezados e ignorados, não deixam de emergir incessantemente da base material e social da nossa existência. Suas expressões, contudo, podem variar muito e, inclusive, podem ser instrumentalizadas ideologicamente para fins reacionários. Daí a importância de que sejam levados a sério numa perspectiva crítico-emancipatória, a fim de que seus potenciais subversivos não sejam desperdiçados. Sem levar em conta o significado crítico desses aportes de esperança primeira, qualquer projeto emancipatório seria irremediavelmente unilateral. Identificar, compreender e potencializar esses conteúdos de esperança é uma das tarefas mais desafiadoras e instigantes no horizonte da utopia concreta: pensamento comprometido com o novum, que se prefigura no front.
