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“Inércia circular” como falácia existencial

Julio Vasconcelos

Autor
Julio Vasconcelos
Revista
Revista Ideação
Edição
1 / 30
Ano
2018
DOI
10.13102/ideac.v1i30.1329
Páginas
247-277
Idioma
pt
2018Julio Vasconcelos. “Inércia circular” como falácia existencial. Revista Ideação, v. 1, n. 30, p. 247-277, 2018.1

Segundo alguns estudiosos das obras de Galileo Galilei (1564-1642), encontram-se nestas algumas pioneiras conceituações do que virá a ser a conhecida lei de inércia, formulada por Descartes e Newton em sua completude. Porém, para estes estudiosos, a inércia galileana é diferente da lei cartésio-newtoniana, na medida em que Galileo possui, segundo eles, um princípio de “inércia circular”, i.e., um entendimento de que somente os movimentos circulares poderiam se conservar na ausência de resistências. A finalidade do presente artigo é argumentar que estes estudiosos cometem, em suas análises das palavras de Galileo, o que se pode entender como uma variação da chamada falácia existencial, extraindo indevidamente de pronunciamentos sobre o mundo real um princípio que trata de um movimento de efetivação impossível, o movimento inercial. Outro objetivo que aqui se busca é o de apresentar ao leitor duas conceituações de Galileo envolvendo conservação de movimentos retilíneos, o que se pretende que constitua falsificações inequívocas da interpretação da “inércia circular”.