ISAAK RUBIN E SEUS CRÍTICOS NOS DEBATES ECONÔMICOS SOVIÉTICOS DOS ANOS 1920
Rafael de Almeida Padial
- Autor
- Rafael de Almeida Padial
- Revista
- Eleuthería - Revista do Mestrado Profissional em Filosofia da UFMS
- Edição
- 10 / 19
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.55028/8wb7n093
- Páginas
- 48-60
- Idioma
- pt
O artigo analisa os debates soviéticos da segunda metade dos anos 1920 em torno dos Ensaios sobre a teoria do valor de Marx, de Isaak Rubin, com especial atenção às controvérsias acerca do conceito de trabalho abstrato. A partir da recente publicação integral, em inglês, dos Ensaios de Rubin – incluindo a inédita “Resposta aos críticos” –, reconstrói-se a crítica formulada por I. Dashkóvski, S. Shabs e A. Cohn. Argumenta-se que, apesar de suas diferenças, os três autores buscaram preservar uma compreensão trans-histórica ou fisiológica do trabalho abstrato, apoiando-se sobretudo em passagens da “Introdução” de 1857 de Marx. Dashkóvski concebeu o trabalho abstrato como indiferença frente ao conteúdo determinado do trabalho; Shabs, como expressão histórica de uma essência humana trans-histórica; e Cohn, como abstração lógica do pensamento, distinta de sua realização social na troca. Em contraste, Rubin sustentou que o trabalho abstrato é uma categoria especificamente social da produção mercantil capitalista, constituída por meio da equiparação dos produtos do trabalho no mercado. O artigo mostra como esse debate expressava divergências mais amplas sobre a relação entre produção e circulação, bem como sobre o papel das formas sociais na crítica da economia política.
