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Itinerários cruzados: os caminhos da contemporaneidade filosófica francesa nas obras de Jean-Paul Sartre e Michel Foucault

André Constantino Yazbek

Tese
Autor
André Constantino Yazbek
Orientador(a)
Salma Tannus Muchail
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2008
2008André Constantino Yazbek. Itinerários cruzados: os caminhos da contemporaneidade filosófica francesa nas obras de Jean-Paul Sartre e Michel Foucault. 2008. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Salma Tannus Muchail.2

No panorama francês das décadas de 1960 e 1970, Foucault é um das figuras mais representativas da crítica à “modernidade filosófica”. Desde sua tese complementar sobre a Antropologia de Kant (1961), apoiando-se sobretudo na recuperação da démarche nietzschiana, o autor há de considerar urgente a tarefa de colocar um “ponto final” na proliferação da interrogação “sobre o homem”. Jean-Paul Sartre, por seu turno, parece representar à época a antítese do projeto foucaultiano: sua Crítica da razão dialética “inaugura” a década de 1960 com um esforço de recuperação da dialeticidade do próprio “sujeito”, tomando-o como elemento irredutível para a inteligibilidade da história. Assim, reconhecendo a dialética como a “lógica viva da ação”, Sartre pretende que o homem e seu agir sejam “redescobertos” no próprio cerne do marxismo – e a ontologia sartriana, cuja base remonta a O ser e o nada (1943), se vê remetida à necessidade de fundamentação de uma antropologia no âmbito da “historialização prática” do indivíduo. Partindo do antagonismo representado pelos projetos concorrentes de Jean-Paul Sartre e Michel Foucault no horizonte dos “sixties”, este trabalho pretende revisitar a trajetória dos dois autores a fim de delinear as opções e os dilemas (teóricos e políticos) de duas gerações distintas da filosofia contemporânea francesa. Ao decido “humanismo sartriano” – com sua indelével centralidade do sujeito – corresponderá uma atitude de não menos decidido “anti-humanismo” por parte de Foucault. Nesta medida, o existencialismo de Sartre, traduzido por Foucault em termos de uma “metafísica da subjetividade”, encontrará seu desafio mais incisivo no tema foucaultiano da “morte do homem” – lugar de convergência de uma geração que se poderia chamar (não sem equívocos) de “pós-existencialista”