Voltar para Artigos
Artigos

Jacques Derrida e a fenomenologia de Husserl

Janilce Silva Praseres

Autor
Janilce Silva Praseres
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
26 / 1
Ano
2026
DOI
10.31977/grirfi.v26i1.5677
Páginas
155-165
Idioma
pt
2026Janilce Silva Praseres. Jacques Derrida e a fenomenologia de Husserl. Griot : Revista de Filosofia, v. 26, n. 1, p. 155-165, 2026.1

Principal representante da desconstrução Jacques Derrida (1930-2004) realizou uma leitura crítica da fenomenologia de Edmund Husserl, destacando suas aporias internas e reconfigurando as bases de questões fundamentais relacionadas à linguagem, à temporalidade e à subjetividade. A partir da obra A voz e o fenômeno de 1967, busca-se compreender como Derrida desenvolve uma análise rigorosa das noções husserlianas de consciência, presença e significado, formulando uma crítica que é ao mesmo tempo uma releitura inovadora. Husserl buscava estabelecer uma ciência rigorosa da experiência, centrada na intuição das essências dos fenômenos tal como aparecem à consciência. Derrida confronta diretamente esses pressupostos husserlianos, propondo que a fenomenologia não consegue escapar da mediação da linguagem e do tempo, o que impede o acesso a uma “origem pura” ou “presença plena”. Procuramos, assim, destacar os pontos principais dessa crítica. A crítica derridiana em A Voz e o Fenômeno não é uma rejeição da fenomenologia, mas uma radicalização de suas questões centrais, demonstrando que a busca de Husserl pela presença plena é inviável porque o significado está sempre mediado pela linguagem, pelo tempo e pela diferença. Assim, Derrida inaugura um novo campo de pensamento que questiona as bases metafísicas do ocidente e redefine os modos como entendemos linguagem, temporalidade e subjetividade.