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João Duns Scotus sobre a escravidão

Roberto Hofmeister Pich

Autor
Roberto Hofmeister Pich
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
42 / Special
Ano
2020
DOI
10.1590/0101-3173.2019.v42esp.16.p291
Páginas
291-332
Idioma
pt
2020Roberto Hofmeister Pich. João Duns Scotus sobre a escravidão. Trans/Form/Ação, v. 42, n. Special, p. 291-332, 2020.2

As contribuições dos pensadores medievais para o debate em torno da escravidão ainda são pouco conhecidas em seus detalhes. Junto com as abordagens na filosofia antiga, na patrística, no direito romano e no direito canônico, elas formam um corpo de textos e de ideias fundamental para se compreender o tratamento da escravidão do século 16 ao século 19. Neste artigo, busca-se expor e analisar a abordagem que João Duns Scotus dá ao tema, contrastando-a com as visões de Aristóteles e de Tomás de Aquino. As posições de Scotus dependem de seus pareceres sobre a liberdade, a propriedade e a lei positiva, bem como sobre o significado do livre arbítrio como condição prático-racional de todos os seres humanos. Na base dessas ideias, Scotus restringe de forma severa as condições de lei positiva segundo as quais a servidão pode ser introduzida com justiça e o escopo de perda de liberdade que pode ser aceito no contrato da escravidão. Recebido: 30/12/2019Aceito: 30/12/2019