Juízo, Categoria e Existência: A resposta Kantiana ao argumento ontológico à luz da Dedução Metafísica
Silvia Altmann
- Autor
- Silvia Altmann
- Orientador(a)
- Paulo Francisco Estrella Faria
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2003
O objetivo da tese é mostrar que, na Crítica da Razão Pura, a resposta de Kant ao argumento ontológico na Dialética Transcendental apresenta a mesma compreensão da noção de existência caracterizada na Analítica Transcendental através da relação entre o caráter assertórico de um juízo e a correspondente categoria da existência...Grosso modo, essa relação é a seguinte: a utilização de um juízo assertórico que pretenda expressar propriedades de objetos e não simplesmente do modo como pensamos objetos já envolve a afirmação da existência do objeto do juízo. A resposta kantiana ao argumento ontológico estabeleceria, agora em termos da formulação """"a existência não é um predicado real"""", a relação entre existência e juízo assertórico...A primeira parte da tese consiste na análise da chamada Dedução Metafísica. Apoiando-se em diversos conceitos e teses que Kant julga já ter estabelecido antes da Lógica Transcendental (indicados no capítulo 1), o capítulo 2 procura esclarecer em que consiste, segundo Kant, a atividade do entendimento e por que sua forma se exprime na tábua dos juízos. O capítulo 3 examina as considerações para passar das formas de exercício do entendimento para as categorias. O capítulo 4 consiste na utilização do desenvolvido nos anteriores para mostrar que é possível estabelecer uma relação plausível entre cada forma de juízo e a categoria correspondente. O capítulo 5 retoma os principais resultados pela comparação com as interpretações de alguns comentadores sobre os pontos centrais dos quais depende a reconstrução apresentada...A segunda parte da tese analisa as afirmações de Kant sobre a noção de existência na sua resposta ao argumento ontológico, mostrando que a formulação """"a existência não é um predicado real"""" não pode ser adequadamente compreendida sem que se perceba que as razões para tal são exatamente as mesmas que levam à caracterização da existência como uma categoria modal ligada ao caráter assertórico de um juízo. O texto pré-crítico O Único Fundamento Possível para uma Prova da Existência de Deus apresenta um argumento bastante próximo do da Crítica, mas sem a caracterização da existência como categoria modal. Por essa razão, partes desse opúsculo são examinadas no capítulo 6. Tal exame não só é útil para explicitar os fundamentos da tese """"a existência não é um predicado real"""", mas também porque nesse texto Kant apresenta explicitamente o que seria uma """"expressão correta"""" para juízos de existência. O capítulo final apresenta uma reconstrução da resposta kantiana ao argumento ontológico, procurando mostrar que Kant começa respondendo à prova ontológica por uma redução ao absurdo, redução essa que revela a necessidade de uma compreensão peculiar da noção de existência. Essa peculiaridade encontra sua expressão tanto na categoria da existência como modalidade quanto na tese que a existência não é um predicado real. Compreendida essa peculiaridade, Kant mostra diretamente como a correta compreensão da noção de existência não permite a construção do argumento ontológico.
