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JUVENTUDE, OBSOLESCÊNCIA E AUTORITARISMO

Geraldo Freire de Lima

Autor
Geraldo Freire de Lima
Revista
Prometeus - Journal of Philosophy
Edição
39
Ano
2022
DOI
10.52052/issn.2176-5960.pro.v14i39.18057
Idioma
pt
2022Geraldo Freire de Lima. JUVENTUDE, OBSOLESCÊNCIA E AUTORITARISMO. Prometeus - Journal of Philosophy, n. 39, 2022.1

A modernidade, de forma generalizada, nos legou uma concepção de progresso, herdeiro do conceito cristão de esperança, que abriu espaço para um discurso sobre o futuro em detrimento às insígnias do passado. No Ocidente, tal discurso, junto a processos sociais objetivos, como o domínio da sociedade de mercado burguesa, decompôs o saber em conhecimento (tecnocientífico) e sabedoria de vida (moral), questionando e desautorizando saberes ancestrais juntamente com aqueles que os possuíam, os sujeitos mais velhos, promovendo o aparecimento de novas formas de barbárie que lhes roubam a autonomia e criam uma falsa sensação nos mais jovens de pertencerem a um mundo em que a memória se torna um assessório dispensável. Este artigo pretende discorrer brevemente sobre algumas consequências do lado obscuro do progresso no tocante ao trato com a temporalidade humana, como o aparecimento da administração da velhice, que favorece o empobrecimento e a ruptura simbólica nas sociedades, causando um espaço para a assunção de ideologias autoritárias e uma perturbação na imagem que as sociedades criam para si mesmas a partir do descaso com a velhice, tornando tal imagem e conceito, de antemão, prejudicados. Termos como obsoleto, ultrapassado e desatualizado, são apenas alguns protótipos dos reflexos que começam pela via da linguagem e avançam sobre os comportamentos das pessoas diante dos mais velhos. O texto apresenta alguns exemplos empíricos (sociológicos) sobre este abalo simbólico em algumas sociedades, relacionando-o, também, à queda do patriarcalismo, e é finalizado com uma proposta crítica de recuperação simbólica do lugar da longevidade nas sociedades contemporâneas.