- Autor
- Oneide Perius
- Revista
- Veritas (Porto Alegre)
- Edição
- 70 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.15448/1984-6746.2025.1.46397
- Páginas
- e46397
- Idioma
- pt
O Katechon, enigmática figura que aparece nas cartas paulinas, recolhe em si séculos de debate em torno das relações entre teologia e política. Conduz a uma sólida tradição hermenêutica em que é compreendido como poder instituído que freia a anomia e o caos, pondo assim a teologia como fundamento mantenedor das ordens políticas estabelecidas. Mas pode ser interpretado, também, como aquele conjunto de forças que ainda detém o advento do dia do Senhor, a parusia. Nesta perspectiva, consolidada pela tradição messiânica, não há acordo e nem sequer compromisso algum com a manutenção da ordem. A ruptura e a catástrofe são possibilidades de destruição de um mundo injusto. O presente artigo pretende reconstruir, ainda que brevemente, o percurso deste conceito na teologia e na filosofia política contemporâneas, especialmente a partir dos escritos de Paulo de Tarso, Carl Schmitt, Jacob Taubes e Giorgio Agamben.
