- Autor
- Robinson Guitarrari, Paulo Pirozelli
- Revista
- Revista Helius
- Edição
- 3 / 2
- Ano
- 2021
- Páginas
- 1744-1776
- Idioma
- pt
Thomas Kuhn usou a teoria da evolução para discutir o desenvolvimento científico em dois momentos de sua produção filosófica: em A estrutura das revoluções científicas, de 1962 (1970a), e em alguns artigos escritos no início dos anos 1990. O objetivo deste artigo é examinar os diferentes propósitos de cada uma dessas aproximações. Entendemos que, na primeira ocasião, o apelo à teoria da evolução tem duas finalidades: mostrar a plausibilidade de uma concepção filosófica de progresso científico sem um fim prefixado; e servir como modelo para uma concepção de desenvolvimento científico. No segundo momento em que tematiza o ponto, Kuhn expande a analogia evolucionária, considerando três outras similaridades entre desenvolvimento científico e biológico: a necessidade de isolamento das comunidades científicas para o desenvolvimento da ciência; a relação mundo-teoria, que passa a ser vista como uma relação de adaptação; e a unidade de desenvolvimento, que assim como na biologia, passa a ser vista como o grupo, em vez do indivíduo.
