Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia - Lampejo revista eletrônica: Dossiê Daniel Lins, pensamento nômade, v. 6 n. 2 (2018)
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APRESENTAÇÃOO ARQUEIRO NÔMADENilson OliveiraI. Sinergias da amizade De onde vem este amigo? Sem dúvida, do menos sombrio. Sua alegria explodia em samambaias pacientes. Ele nos ensinou a voar acima das palavras, longe da letargia dos navios ancorados2. Esta oportuna citação é um contrabando de René Char, maneira sem sutileza de encontrar o amigo, ideia de uma confluência (conexões nômades), na oportunidade desta apresentação para a «Revista Lampejo», em sua décima segunda volta, dedicada ao filósofo e escritor Daniel Lins. Zona de agitação povoada de encontros e fluxos pelos quais, a cada movimento, delineia-se um mapa cuja imagem conforma-se no seguinte arquipélago: Daniel Lins, pensamento nômade Trata-se de um fortuito acontecimento. Espiral de afetos, por entre o círculo aberto dos atos- de-pensamento – imanente aos atos-de-vida –, em abordagens plurais e heterogêneas na direção do amigo. Amizade sem divisão e sem reciprocidade. Amizade ao que passa sem deixar rastro. Relação incomensurável de um para o outro. Afinidades de um pensamento que apenas na amizade se revigora. É nesse caminho que a comunidade se encontra, em textos atravessados por uma vontade de manter o diálogo consecutivo. Deste modo, pelas estrias da revista e seus lampejos, em textos vários, assim despontam: Miguel Angel de Barrenechea, Maria Cristina Franco Ferraz, Rosa Dias, Samir Murad Melhem, Charles Feitosa, Ada Beatriz G. Kroef, Antônio Carlos Amorim, Alessandro Carvalho Sales, Ruy de Carvalho, Paulo Rogers Ferreira, Danielle Fonseca, Leonardo Moreira, Marcius A. L. Lopes, Túlio Muniz.1 Nilson Oliveira. Escritor e editor da revista Polichinello. 2 René Char. O nu perdido e outros poemas. São Paulo: Iluminuras, 1995. p. 85/87.São essas figuras e suas experiências escriturais que, em busca de um pensamento movente, se atravessam numa correlação ativa. Movimento que se firma pela intensidade da afirmação, força maior. E nessa pulsação, a passagem da escrita à amizade (sinergias do comum): amálgama entre encontro e devir. Algo possível tão somente pela força dos afetos, sobretudo pela vontade de encontro. Ação com amigos, ventos da multiplicidade, ideia de polinização, na direção do que se abre pelos feixes de um pensamento errante.II. Na alvorada dos encontros O primeiro encontro veio pelas dobras de «Antonin Artaud: o artesão do corpo sem órgãos». Uma leitura vigorosa, com marcas e desdobramentos no pensamento e na escrita. Repercussão ruidosa entre nós. Artaud daquela maneira tão sem concessão, uma delicadeza brutal e expansiva, marcada por lacerações, fusões, osmoses, rebatimentos, caos criativo. Tudo com uma precisão ética e estética, ou seja, nada de reinventar ou transformar, mas pensar em dupla ressonância. Portanto, pensar com Artaud. Essa é a primazia de Daniel Lins, em «O artesão do corpo sem órgãos». Pensar com Artaud, através das erupções de um pensamento ativo, obliterando ostracismo, em favor dos ventos de um pensamento fecundo de sensações e sentidos: transbordante de vigor e júbilo. Simultâneo ao efeito Artaud (numa lufada de ar), outros efeitos, outras curvas, ritornelos, tudo acontecendo numa sinuosa composição entre dobras e linhas.Assim veio para nós o «Simpósio Nietzsche/Deleuze». E deste horizonte uma multidão de encadeamentos, amizades, desafios, escritas, fulgores entre sol e mar. E o estabelecimento de uma ponte Belém e Fortaleza, com tantas idas e vindas, num eterno retorno, fomentado pelos laços da alegria. Na outra mão, o encadeamento de uma colaboração ativa, práxis desejosa, de Lins na Revista Polichinello. Participação através de escritos pelos quais nos apresentava, entre uma edição e outra da revista, uma constelação de figuras que incluíam Abdelkebir Khatibi, Pierre Guyotat, Edmond Jabès, Marguerite Duras. Nesses textos, um trânsito teórico pelos mais distintos campos, por meio de uma escrita movente, pela qual atravessam os dédalos de horizontes surpreendentes, num sinuoso jogo de linhas e cruzamentos, articulando conexões com Deleuze, Guattari, Foucault, Nietzsche, Blanchot, proferindo uma constelação vigorosa e inquietante.
Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia - Lampejo revista eletrônica: Dossiê Daniel Lins, pensamento nômade, v. 6 n. 2 (2018)
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