Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia - Lampejo revista eletrônica, v. 7 n. 2 (2018)
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EDITORIALO que falta para o que chamam de “fim dos tempos”? Se tornou corriqueiro abrir a página de algum jornal do mundo e se deparar com questões como as de fome, moradia e problemas ecológicos. Parece-nos que o chamado “fim do mundo” está mais organizado do que a continuação dele mesmo. No meio disso tudo, ou seja, ao mesmo tempo, tentamos pensar coisas. Pensar não apenas por parar e refletir, mas sim por continuar se movendo e propor enfrentamentos. Em tempos como o nosso não parece ser benéfico para nós mesmos ficarmos parados e calmos. Façamos então outra pergunta relacionada: o que custa nos dias de hoje se posicionar contra algo? É mais do que nítido que o fim dos tempos já acontece diariamente para os índios, negros, mulheres, LGBTQI, etc. O fascismo às vezes se apresenta com nome próprio, porém qualquer que seja o nome que desejam chamar-lhe, a pergunta é: a quem interessa não falarmos de fascismo? Afirmamos aqui que a nós não. É contra o fascismo que esse texto fala. Essa é a nossa primeira edição pós eleições de 2018 no Brasil, e seria preciso muito mais do que um editorial ou uma revista para falar sobre ela. Contudo, é preciso que a Revista Lampejo afirme um posicionamento perante a todos. A nossa filosofia é aquela que critica o seu tempo, que luta contra suas intempéries, contra toda sua baixeza de pensamento. O pensamento que propomos e tentamos defender aqui não é de algo velado pela mesquinhez ou bestialidade dos que falam pelo bem. Tentamos nos posicionar além do bem e do mal, e de peito aberto nos envolvemos com aquilo que é de fato antifascista. Os recentes ataques às universidades públicas são um ataque contra nós, não apenas contra aquilo que lemos, pensamos e falamos, mas contra aquilo que somos. Fazer o que fazemos é intrínseco não só às leituras, aulas, produções de textos, revistas e eventos que produzimos, mas ao que vivemos. Não se ataca uma profissão, mas um modo de vida. Pensamos não para exegese daquilo que acalma e prega a mesmidade, um tempo estático que é sempre em função dos que venceram a guerra há muitos anos. Vivemos nossos pensamentos, enfrentamos o que nos aparece, e não abriremos mão disso. Por isso nos dirigimos diretamente e com veemência aos últimos ataques ao curso da instituição que foi base de formação de quase todos os integrantes do grupo que produz essa revista, o Curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará – UECE. Em apoio a todos os estudantes e professores acusados de antifascistas, nós estamos aqui, sendo antifascistas juntos. Para além de qualquer saber, há uma experiência, há vida, e estamos aqui para isso: difundir e potencializar experiências. Uma resposta que damos a qualquer ameaça contra a filosofia, os modos de vida atacados pelo estado, pela “boa” moral difundida, ou qualquer outro, afirmamos que o mundo necessita de enfrentamentos, e a Revista Lampejo está aqui para dizer a todos e principalmente àqueles que estão aterrorizados com os acontecimentos recentes: nós estamos juntos. Por mais que pareça que há um fim de mundo organizado por aqueles espectros estranhos e outras entidades que regulam e controlam diversas vidas, não iremos desistir. Não estamos aqui de modo algum para desistir, ou aderir ao discurso do medo. Há inúmeros fins de mundos acontecendo diariamente para tantos, contudo, o que podemos dizer aqui é que isso não nos impede de lutarmos, criarmos diversas vidas, diversas experiências. Não deixaremos de pensar a sua continuação ou o fim do mundo. Não temos medo de experienciar o fim dos tempos, quem sabe até consigamos criar um outro fim possível (ou outro mundo). Se um tempo merece ter as respostas à sua altura, a filosofia deve exigir-se mais forte ainda, porque a sua baixeza pode significar o triunfo da morte. Lembremos novamente: o intempestivo vibra e vive. O pensamento que aqui queremos sempre incentivar e propor é um que pulse potência e vida. É “tragicômico” que os que são pela vida só falem mesmo em armas e morte. Lutamos contra forças, mas somos forças também, e além disso não somos poucos. Podemos estar naquele momento que a madrugada fica um pouco mais escura, logo antes do amanhecer, e o medo quer falar mais alto. Mas não temamos, pois pelo crepúsculo já passamos, agora passaremos a aurora.Os editores
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