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Laura Cereta: em defesa de uma "República das Mulheres"

Natália Braga Tavares

Autor
Natália Braga Tavares
Revista
Prometeus - Journal of Philosophy
Edição
16 / 46
Ano
2024
DOI
10.52052/issn.2176-5960.pro.v16i46.22289
Idioma
pt
2024Natália Braga Tavares. Laura Cereta: em defesa de uma "República das Mulheres". Prometeus - Journal of Philosophy, v. 16, n. 46, 2024.1

Seriam as mulheres notáveis e intelectualmente talentosas exceções à regra? A esta pergunta, que reflete com precisão uma concepção do feminino reiteradamente apresentada e defendida por filósofos e escritores filiados às mais diversas tradições intelectuais, Laura Cereta, uma humanista italiana do século XV, busca responder em uma das cartas mais agudas de seu conjunto de ensaios epistolares. Ao longo das linhas endereçadas a um correspondente que recebe, ironicamente, o nome de Bibolo Semproni, Cereta desafia e busca refutar, com base em exemplos tomados da história e da mitologia, a ideia segundo a qual as mulheres seriam, por natureza, moral e intelectualmente inferiores. Trata-se, neste artigo, de seguir de perto o argumento desenvolvido pela autora na carta em questão, destacando, em especial, sua defesa do direito das mulheres à educação e seu recurso à imagem de uma espécie de árvore genealógica, uma longa e nobre linhagem de mulheres célebres – uma generositas –, que apontaria para a existência de uma república das mulheres [respublica mulierum] documentada e constituída historicamente.