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Le Bon e Mussolini: propaganda fascista e religião

Antonio José Pereira Filho

Autor
Antonio José Pereira Filho
Revista
Prometeus - Journal of Philosophy
Edição
17 / 47
Ano
2025
DOI
10.52052/issn.2176-5960.pro.v17i47.22837
Idioma
pt
2025Antonio José Pereira Filho. Le Bon e Mussolini: propaganda fascista e religião. Prometeus - Journal of Philosophy, v. 17, n. 47, 2025.1

Pretende-se indicar, neste artigo, em que sentido o fascismo pode ser visto como uma forma de “religião” e qual a função da propaganda no âmbito deste movimento e de extremismos que podem ser a ele relacionados. Entendo a expressão “religião” no sentido em que a emprega Gustave Le Bon (1841-1931), autor que, ao relacionar política e comportamento de massa, inspirou decisivamente o ditador Benito Mussolini, sobretudo no que diz respeito ao padrão de propaganda do movimento. Neste sentido, trata-se de mostrar como religião e propaganda formam o núcleo em torno do qual gravitam muitas das teses e táticas dos agitadores fascistas. Para embasar o argumento a esse respeito, utilizo duas fontes principais: 1) a obra Psicologia das multidões, publicada em 1895, por Gustave Le Bon e 2) o texto base de A doutrina do fascismo, ensaio escrito por Benito Mussolini e pelo filósofo Giovanni Gentile e publicado, em 1932, na Enciclopédia Italiana. Porém, antes de apresentar o argumento central, farei uma espécie de limpreza de terreno, esclarecendo o sentido do termo “fascismo” aqui empregado. Além disso, apresento inicialmente aspectos da abordagem de Theodor Adorno e Sigmund Freud acerca da psicologia das massas,  na medida em que os autores são fundamentais para compreender o alcance e os limites das ideias apresentadas por Le Bon a respeito das massas.