- Autor
- Juliana da Silveira Pinheiro
- Revista
- Cadernos Espinosanos
- Edição
- 54
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2026.246516
- Páginas
- 37-55
- Idioma
- pt-BR
Este artigo propõe uma reflexão sobre o legado cartesiano para a medicina ocidental a partir da análise do impacto da concepção de corpo de Descartes, marcada pelo dualismo e pelo mecanicismo. Para tanto, apresentamos, inicialmente, uma breve exposição das principais características da tradição hipocrático-galênica, cuja trajetória tem início no século V a.C. e se estende até a Modernidade. À luz desse contexto explanado, examinamos, então, a influência de Descartes e sua contribuição seminal para a constituição de um novo modo de pensar a arte médica, cuja principal herança é a quantificação dos processos vitais, fundamentada na matematização do corpo, a eliminação de princípios finalistas e inteligentes do funcionamento biológico, dada por princípios mecânicos, e a erradicação da compreensão de qualquer matéria sutil que não seja extensa e observável.
