- Autor
- Celi Hirata
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 1 / 10
- Ano
- 2007
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v1i10p59-78
- Páginas
- 59-78
- Idioma
- pt
Contra a tese cartesiana da criação das verdades eternas, Leibniz sustenta que as leis do pensamento possuem validade absolutamente universal, o que significa que entre Deus e nós há um terreno lógico comum. Caso contrário, não seria viável fornecer a justificativa tanto teórica como moral do mundo, isto é, não haveria uma razão suficiente da criação. Mas mais do que isso, uma vez que entre todos os espíritos - incluindo a inteligência humana e a divina - há uma certa relação de conveniência, a razão, definida como encadeamento de verdades não deve ser contrária à fé, mas, ao contrário, deve fundamentá-la, distinguindo o cristianismo das demais religiões e justificando sua superioridade. Ou seja, a contraposição à afirmação de Descartes segundo a qual as verdades necessárias e eternas são, juntamente com o mundo, criadas, possui em Leibniz, mais do que uma implicação epistemológica, o papel de uma dupla justificação moral, a saber, com relação à criação, por um lado, e à religião cristã, por outro.
