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LIBERDADE CONTRA O ARBÍTRIO: O TEMA DA ESCRAVIDÃO EM JOHN LOCKE

Renata Prado Meneghin

Autor
Renata Prado Meneghin
Revista
Sapere Aude
Edição
3
Ano
2026
DOI
10.5752/P.2177-6342.2026v3n3p317-330
Páginas
317-330
Idioma
pt
2026Renata Prado Meneghin. LIBERDADE CONTRA O ARBÍTRIO: O TEMA DA ESCRAVIDÃO EM JOHN LOCKE. Sapere Aude, v. 3, p. 317-330, 2026.2

Este artigo reconstrói o núcleo normativo da liberdade em John Locke nos Dois Tratados sobre o Governo e demonstra como a escravidão opera como caso-limite e padrão negativo para distinguir poder político legítimo e dominação despótica. Parte-se da definição lockiana de liberdade natural como não sujeição à vontade arbitrária de outro, vinculada à lei da natureza e ao dever de preservação, para explicitar por que liberdade não se confunde com licença. Em seguida, examina-se o papel do consentimento na crítica a Filmer e na delimitação do poder civil como poder fiduciário. Na sequência, analisa-se o direito de punir e a guerra justa como condições de inteligibilidade da escravidão punitiva. Por fim, propõe-se uma articulação entre dois planos: o exegético-normativo, no qual a escravidão lockiana permanece estritamente punitiva e não fundamenta, por seus próprios critérios, a escravidão racial-hereditária; e o genealógico-estrutural, no qual a gramática da liberdade e da propriedade circula em contextos coloniais e pode operar por filtros de pertença que restringem, na prática, o sujeito reconhecido como plenamente livre.