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LIBERDADE NA QUARTA MEDITAÇÃO

Gabriel Arruti Aragão Vieira

Autor
Gabriel Arruti Aragão Vieira
Revista
Revista Ideação
Edição
1 / 50
Ano
2024
DOI
10.13102/ideac.v1i50.11454
Páginas
247-261
Idioma
pt
2024Gabriel Arruti Aragão Vieira. LIBERDADE NA QUARTA MEDITAÇÃO. Revista Ideação, v. 1, n. 50, p. 247-261, 2024.2

A definição de liberdade é discutida no presente artigo. Essa definição de liberdade é dupla, e diferentes interpretações a respeito dessa duplicidade são apresentadas. A primeira definição consiste em caracterizar a liberdade como indiferença, ou seja, capacidade de escolher entre as opções disponíveis. A segunda definição de liberdade consiste em compreendê-la como espontaneidade, ou seja, decidir sem a influência de fatores externos. Entre a primeira e a segunda definição encontra-se a conjunção "vel potius". O significado dessa conjunção é objeto de disputa na tradição de comentário sobre o conceito de liberdade na Quarta Meditação. Ragland categoriza essas interpretações que são defendidas por grupos distintos de comentadores. Alguns comentadores entendem que a conjunção "vel potius" indica que a segunda parte da definição substitui a primeira, outros acreditam que a conjunção indica que a segunda parte da definição expande o significado da primeira, e há ainda aqueles que interpretam que a conjunção indica que a segunda definição esclarece o significado da primeira. A partir da ideia apresentada por Descartes de que a verdadeira liberdade só é exercida quando ela obedece os critérios da segunda definição, conclui-se que a interpretação correta é a de que há uma substituição da primeira definição pela segunda.