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LIBERTINAGEM COMO LINGUAGEM Refletindo as analogias

Francisco Verardi Bocca

Autor
Francisco Verardi Bocca
Revista
Revista de Filosofia Aurora
Edição
18 / 23
Ano
2006
DOI
10.7213/rfa.v18i23.8588
Páginas
53-72
Idioma
pt
2006Francisco Verardi Bocca. LIBERTINAGEM COMO LINGUAGEM Refletindo as analogias. Revista de Filosofia Aurora, v. 18, n. 23, p. 53-72, 2006.1

O presente artigo tem a intenção de refletir sobre a noção de logotetaatribuída por Barthes a Sade. Para isso ele admite que a despeito dalíngua de Sade apresentar um caráter artificial, o que a distinguiria dalinguagem natural tematizada por Saussure, não obstante, em suaformulação recorre às mesmas operações que dão constituição àlinguagem natural, o que permite pensar que a noção de língua se aplica à organização da orgia, em particular, e à obra de Sade, em sentido geral. Aqui veremos que Barthes, a exemplo do que propôs Saussure, mais uma vez realiza uma extrapolação da noção de língua, que foi a princípio concebida como o objeto próprio da lingüística, a outros sistemas simbólicos não lingüísticos. Por conta disso, haveremos de investigar até que ponto a nova língua de Sade compartilha da natureza arbitrária e imotivada da língua saussuriana. Em outras palavras, a adequação do uso do conceito de língua à ordenação erótica que Sade concebe e que Barthes reconhece segundo um estatuto de linguagem.