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Teses

Lucrécio e a natureza das coisas: entre o acaso e a necessidade

Romulo Siqueira Batista

Tese
Autor
Romulo Siqueira Batista
Orientador(a)
Maura Iglésias
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2007
2007Romulo Siqueira Batista. Lucrécio e a natureza das coisas: entre o acaso e a necessidade. 2007. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): Maura Iglésias.2

Tito Lucrécio Caro (95 a.C. 54 a. C) é conhecido por ter escrito aquele é, talvez, o maior poema filosófico da Antiguidade: o De rerum natura (sobre a natureza das coisas). A partir de uma tradição de pensamento que remonta a Leucipo e Demócrito e, sobretudo, a Epicuro, Lucrécio retoma e aprofunda as teses atomistas que afirmam o acaso como força criadora de todas as coisas. Assim, o pensamento de Lucrécio é, pois, um naturalismo ocupado em pensar a natureza não como uma potência exterior que informa a matéria, mas como a natureza das coisas (rerum) em sua existência dispersa. Mas o naturalismo de Lucrécio é também uma ética que afirma o prazer como bem máximo e identificado à imperturbabilidade dos deuses (tranquilla pax; placida pax; summa pax). É através desse caminho que o tema do comportamento regular da natureza reaparece no poema: o conhecimento da natureza, é a condição necessária para a identificação do falso e dos temores que dele decorrem. Vale dizer, deste modo, que o pensamento de Lucrécio não prescinde da afirmação de um tipo de necessidade natural. Assim, pode-se afirmar que a articulação entre os temas aparentemente divergentes de um acaso soberano e de uma necessidade natural é o leitmotiv do De rerum natura. Lucrécio pensa a estabilidade e o equilíbrio não como formas primeiras que antecedem a “fundação” da natureza das coisas, mas como efeitos solidários de um movimento universal que comporta em uma mesma medida o instável e o desequilíbrio.