- Autor
- Luís Falcâo
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 46 / 01
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.1590/0101-3173.2023.v46n1.p149
- Páginas
- 149-170
- Idioma
- pt
É possível encontrar em Maquiavel uma expressão significativa do consentimento originário para a explicação da origem das comunidades políticas. Investigam-se, assim, as possíveis recepções desse tema a partir do pensamento político romano. Com Lucrécio e Cícero, torna-se possível compreender os termos do pacto, qual sejam, o primitivismo no contraste entre homens e bestas, o medo e a segurança comuns como elementos fundantes da comunidade política e a liderança de um homem de destaque. Para isso, lateralmente, debatem-se as premissas aristotélicas da natureza política dos homens e apresentam-se exemplos do contexto de Maquiavel, a fim de corroborar a disponibilidade da linguagem do consentimento originário em acordo com o aristotelismo. O artigo conclui que Maquiavel não possui uma teoria substancial da origem dos agremiados humanos, porque o objeto da política, dentro da maneira pela qual ele a entende, existe apenas mediante a fundação das cidades historicamente determinadas. O emprego, então, de uma linguagem contratualista em acordo com a aristotélica estava dentro de um contexto retórico de despertar a atenção de seu leitor.
