Voltar para Artigos
Artigos

Maquiavel e a Política do Desejo

Silvana de Souza Ramos

Autor
Silvana de Souza Ramos
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
1 / 24
Ano
2014
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v1i24p40-61
Páginas
40-61
Idioma
pt-BR
2014Silvana de Souza Ramos. Maquiavel e a Política do Desejo. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 1, n. 24, p. 40-61, 2014.2

O artigo leva em conta as diferentes leituras da obra de Maquiavel – as quais tentam explicar a dualidade do autor (ao mesmo tempo republicano e conselheiro de Lorenzo de Médici) – e traz para o primeiro plano de análise a defesa da liberdade e a articulação desta com a dinâmica dos humores da cidade a fim de pôr em relevo a decisiva contribuição de C. Lefort para a discussão do caráter democrático dos ensinamentos do pensador florentino. Em seguida, trata-se de encontrar no Discurso da servidão voluntária, de La Boétie, e nos Ensaios, de Montaigne, isto é, na recepção francesa da filosofia política de Maquiavel orquestrada no século XVI, novas evidências da articulação entre desejo e liberdade. Tais elementos não apenas se mostram consoantes a interpretação fornecida por C. Lefort, mas também promovem desdobramentos importantes no que se refere à reflexão sobre a institucionalização do desejo do povo e sobre o poder deste para salvaguardar a liberdade da república frente à ambição dos grandes.