MÁQUINAS, GÊNIOS E HOMENS NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO: Uma interpretação heurística do método indutivo de Francis Bacon
Sergio Hugo Menna
- Autor
- Sergio Hugo Menna
- Orientador(a)
- JOSE CARLOS PINTO DE OLIVEIRA
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2011
A historiografia contemporânea da metodologia herdou vários „enigmas? a serem resolvidos sobre as ideias e contribuições de Francis Bacon. Qual é a estrutura do seu método de indução, qual é a natureza de sua „lógica da descoberta?, qual o valor que ele concedeu às hipóteses e conjeturas na investigação científica, qual o papel de Bacon na história da metodologia, qual sua dívida com seus predecessores, qual a influência que exerceu sobre os pensadores que o sucederam etc..Na presente Tese farei uso de estudos históricos e críticos contemporâneos a fim de analisar a obra metodológica de Bacon e determinar a influência das „artes? heurísticas antigas e medievais no seu método indutivo. Em particular, tentarei mostrar que ainda que Bacon tenha ampliado o „poder criativo? das „artes? da invenção, e tenha estendido seu raio de aplicação ao domínio científico, não as formalizou nem substituiu o caráter falível das mesmas. Também, e destacando o importante papel criativo concedido por Bacon e outros autores da Modernidade a „virtudes? ou „desiderata? como, por exemplo, a analogia ou a simplicidade, argumentarei contra as principais interpretações rivais existentes sobre a estrutura e dinâmica do método baconiano. Especificamente, me situarei em oposição à interpretação „geracionista mecânica? –que afirma que o método de Bacon funciona como uma máquina que produz teorias de forma automática– e à interpretação „hipotetista? –que entende que o método de Bacon funciona só no processo de avaliação de teorias, deixando a tarefa de descoberta ao gênio criativo. Tentarei defender que Bacon esteve particularmente interessado em fornecer heurísticas –isto é, guias ou máximas criativas e avaliativas– para que os homens, trabalhando metodologicamente, e reunidos em comunidades de pesquisa, pudessem construir hipóteses científicas de qualidade. Esta argumentação supõe fazer observações sobre a natureza das regras no século XVII, sobre as relações entre experiência e teoria, e introduzir precisões dentro do domínio das inferências ampliativas, além de esclarecer a posição de Bacon com relação a termos chaves como „verdade?, „hipótese? e „conhecimento?. Por último, com esta concepção heurística da indução baconiana, examinarei as interpretações clássicas sobre o papel desempenhado por Bacon na Revolução científica e sua importância na difusão da ideia de progresso..Esta interpretação da herança e da metodologia de Bacon, e de sua recepção e influência em autores posteriores, tal como defenderei, permite compreender e avaliar melhor o significado desse autor para o pensamento científico da Modernidade, e possibilita reavaliar de maneira mais adequada as categorias estabelecidas para a metodologia da descoberta de Bacon por alguns de seus críticos passados e contemporâneos.
