MARGUERITE PORETE E A ESCRITA DE SI: ENTRE A LITERATURA E A FILOSOFIA
Emanuelle Valéria Gomes de Lima, Maria Simone Marinho Nogueira
- Autor
- Emanuelle Valéria Gomes de Lima, Maria Simone Marinho Nogueira
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 42
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i42.5007
- Páginas
- 396-413
- Idioma
- pt
A Igreja, o Judiciário, o homem, ocuparam, desde os primórdios, os ambientes institucionais, sociais, literários e filosóficos. E, por isso, tentaram, por extenso período, evitar que mulheres ocupassem os mesmos espaços e cargos, sendo, portanto, negligenciadas em suas habilidades e, da mesma forma, silenciadas em seus lugares de fala. Apesar disso, algumas mulheres na Idade Média transgrediram essas vontades e subverteram a ordem do mundo naquele momento. É o caso de Marguerite Porete, mulher e escritora, autora da obra O espelho das almas simples e aniquiladas e que permanecem somente na vontade e no desejo do Amor, desobedecendo os ditames do campo literário/filosófico/teológico medieval ao escrever para que outras mulheres pudessem entender outra perspectiva que não apenas a da instituição Igreja que, naquela época, muitas vezes demonstrou colocar a instituição acima dos preceitos de Deus. Dito isso, o presente artigo analisa, na obra supracitada, através de uma revisão bibliográfica, o discurso da personagem Alma, a fim de verificar até que ponto as marcas linguísticas da memória retomam uma escrita de si.
