- Autor
- Jair Antunes
- Orientador(a)
- Alcides Hector Rodriguez Benoit
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2007
a história para Marx aparece como história da separação entre homem e natureza. Esta história teria como principio fundante as formas de apropriação privada das condições objetivas de existência surgidas de forma imanente na sociedade ocidental. Ela se manifestaria como um processo de desenvolvimento da contradição da luta de classes. No oriente esta história somente teria se assentado quando da conquista européia, quando os europeus teriam destruído o milenar modo de produção asiático e assentado ali as formas da apropriação burguesa. Na América, este principio ocidental teria se manifestado quando da formação das colônias. Marx diz que teriam sido três etapas as formas principais das colônias estabelecidas na América: as colônias do tipo do México, as colônias de Plantação e as colônias de Povoamento. Estas colônias, segundo Marx, cada uma a seu modo, estariam conformes às necessidades burguesas de acumulação originária de capital. Para Marx, as colônias de Plantação produtoras de formas excepcionais de mais-valia. Nestas colônias, as formas de trabalho compulsório, aparentemente pré-capitalistas, encobririam, no fundo, segundo Marx, o caráter essencialmente burguês das relações de produção coloniais. Marx faz também a aproximação entre as colônias de Plantação e colônias de povoamento, afirmando que, quanto ao conteúdo, elas seriam essencialmente idênticas. Esta afirmação de Marx, porém coloca em xeque a tradicional classificação da história colonial americana dividida entre """"colônias de povoamento"""" versus """"colônias de exploração"""", pois a tradição historiográfica latino-americanam tenderia a aproximar as colônias de Plantação às colônias do tipo do México. Marx, enfim deixa claro que na América as forças produtivas estariam fadadas a atingir seus mais elevados níveis de desenvolvimento, e as relações de produção atingiriam graus de pureza muito além daquelas postas na Europa. Seria na América, segundo Marx, que o capitalismo se ajustaria plenamente ao seu próprio conceito. É esta teoria do caráter capitalista da colonização americana de Marx e as desventuras de tal tese ao longo do último século que estão no centro de nosso trabalho.
