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Teses

Medicina e Moral em Nietzsche

KLEVERTON BACELAR SANTANA

Tese
Autor
KLEVERTON BACELAR SANTANA
Orientador(a)
MARIA LÚCIA MELLO E OLIVEIRA CACCIOLA
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2002
2002KLEVERTON BACELAR SANTANA. Medicina e Moral em Nietzsche. 2002. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): MARIA LÚCIA MELLO E OLIVEIRA CACCIOLA.2

Esses ensaios têm por objetivo compreender o que o pensamento de Friedrich Nietzsche deve a seu encontro com a doença. Mais precisamente, investigam o papel da convalescença na elaboração do programa de transvaloração de todos os valores. A leitura dos escritos autobiográficos (cartas, prefácios de 86 e Ecce Homo) revelam que uma meditação exaustiva sobre a doença e sua convalescença acabou por transformá-las em premeditação sistemática, obrigando-nos a pensar de outro modo a relação do biográfico com o teórico e a do médico com o filosófico. Do ponto de vista sistemático, essa vivência [Erlebnis] determinou novos meios de expressão (estilo aforismático), alguns temas e a estrutura profunda da filosofia de Nietzsche: a genealogia pode ser lida como uma medicina da cultura, pois seus conceitos estão biológica e medicamente fundados. Quando o filósofo efetua a genealogia da moral pensa tanto na estrutura interna do ser organizado como associação de instintos em luta (mundo interior) quanto na bipolaridade médica do sadio e do mórbido. A genealogia aparece aqui no aprofundamento das ciências da vida bem como na radicalização das conquistas subjetivas da filosofia moderna razão pela qual sua Moralkritik prescinde de uma metafísica dogmática de travo seiscentista (o Mundo como vontade de potência) enfatizada pelos comentadores que dissimulam ou não percebem o essencial: os conceitos dessa crítica da moral estão dispostos em um espaço cuja estrutura profunda responde à oposição entre o sadio e o mórbido de duas maneiras: uma, para avaliar como doentia a moral cristã e seus avatares e, outra, para substituí-la por uma ética do cuidado de si (disciplina voluntatis). Se Nietzsche apresenta-se freqüentemente como médico da cultura é porque essa """"metáfora"""" traduz a estrutura essencial de seu pensamento.