- Autor
- Humberto Coelho
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 15 / 35
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.26694/pensando.vol15i35.5331
- Páginas
- 27-33
- Idioma
- pt
Na medida em que a visão pós-moderna do ser humano dilui identidades e “razões de ser” através de suas lentes antimetafísicas, a crise existencial e social se alarga desenfreadamente. Em países com forte legado histórico e perda de senso de propósito, como Portugal, intelectuais tendem a rejeitar a progressiva destruição de identidades culturais como benéfica, seja para indivíduos, seja para a ordem social. Na verdade, um bem grande número de pensadores portugueses se opõe a versões pós-modernas de multiculturalismo como fundamentalmente pervertidas pela premissa de que a razão não passaria de um construto discursivo da evolução cultural. António Quadros, em particular, expôs com maestria as consequências lógicas de tal falta de referências objetivas na fundamentação das identidades individuais e coletivas, advogando em favor da necessidade de um retorno a uma visão metafísica robusta das culturas.
