- Autor
- Ana Clara Meneguzzi
- Revista
- Journal of Ancient Philosophy
- Edição
- 20 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.11606/issn.1981-9471.v20i1p1-26
- Páginas
- 1-26
- Idioma
- pt-BR
Em Leis II, 669a7-b3, o Estrangeiro Ateniense propõe três critérios para a avaliação de obras miméticas, das quais fazem parte as artes musicais (μουσική). Uma pessoa que pretende ser um juiz justo destas obras deverá saber três coisas: i) o que a obra é (ὅ τέ ἐστι); ii) se ela está correta (ὡς ὀρθῶς); e iii) se é de boa qualidade (ὡς εὖ). O último critério, que visa julgar a qualidade da obra, traz consigo uma ambiguidade interpretativa: ele pode ser tomado como critério exclusivamente ético (que se ocupa de avaliar a qualidade moral de determinada obra), como exclusivamente técnico (que julga a execução artística aplicada) ou como simultaneamente técnico e ético. Neste sentido, este artigo pretende investigar tais possibilidades de leitura, reconstruindo o arcabouço conceitual e argumentativo do Livro II de Leis, a fim de compreender melhor a passagem e defender que, no contexto do diálogo, as avaliações ética e técnica podem se sobrepor.
