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Mito e rito na indústria cultural: A ideologia nos labirintos da linguagem

Bruno Baldessarelli, Márcio Rimet Nobre

Autor
Bruno Baldessarelli, Márcio Rimet Nobre
Revista
Sapere Aude
Edição
6 / 11
Ano
2015
Páginas
87-112
Idioma
pt
2015Bruno Baldessarelli, Márcio Rimet Nobre. Mito e rito na indústria cultural: A ideologia nos labirintos da linguagem. Sapere Aude, v. 6, n. 11, p. 87-112, 2015.1

Para Adorno e Horkheimer o principal fator que permitiu o avanço do capitalismo como modelo de mercado foi o advento da indústria cultural a partir do incremento das tecnologias de comunicação. Tal processo facilitou a massificação da cultura e a intensificação do que identificaram como racionalidade instrumental. O ensaio pretende refletir sobre como a indústria cultural favorece a consolidação de uma cultura administrada ideologicamente com base em inversões do entendimento da realidade, por meio dos aparatos de entretenimento, informação e marketing. A análise terá como ferramentas a filosofia da linguagem de Wittgenstein e, no campo da psicanálise, as teorias de Lacan sobre o simbólico e o imaginário, com recurso à linguagem e fantasia, categorias subjetivas tomadas como meios de acesso ao sujeito. Sinalizamos que, ao se utilizar das figuras gramaticais da metáfora e da metonímia, relacionadas respectivamente às categorias mito e rito, esta operação contribui, via inconsciente, para a elevação do discurso científico-tecnológico ao patamar de uma fantasia ideológica. A construção do véu ideológico inverte o próprio uso da razão, tornada instrumental, forjando um mito de esclarecimento que impede o livre pensar no sentido da emancipação do homem.