MONTAIGNE E O ENGAJAMENTO MODERADO: LIMITES AOS DEVERES POLÍTICOS NO LIMIAR DA MODERNIDADE
Martha Gabrielly Coletto Costa
- Autor
- Martha Gabrielly Coletto Costa
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 17 / 43
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2025.v17n43.p291-314
- Páginas
- 292-315
- Idioma
- pt
Tomando o ensaio Do útil e do honesto (III, 1) como exemplar de uma obra de pensamento, o presente artigo busca discutir a maneira como Montaigne se posiciona acerca das relações entre política e moralidade em meados do XVI, reposicionando o debate no interior de um horizonte jurídico. O referido ensaio nos parece fornecer uma ocasião privilegiada para discernir a transição entre dois modos de conceber a política – um tradicional e outro moderno –, especialmente no que se refere à natureza e ao lugar dos deveres políticos, da participação na esfera pública e dos valores capazes de sustentar os vínculos humanos em sociedade, tal como a fides. Serão recuperadas algumas balizas teóricas (Cícero e Maquiavel) para ressaltar como o pensador francês se move no campo de discussão sobre a moralidade, como enfrenta o problema da dissimulação, da traição e das tensões envolvendo o bem público e a consciência pessoal. Como veremos, Montaigne se esforça para conceber uma moralidade pública ancorada nas leis, que servem de critério e limite para medir a retidão do comportamento dos sujeitos e evitar uma submissão excessiva ao poder político. Ao acompanhar a elaboração do pensamento de Montaigne nessas frentes, buscaremos destacar a originalidade de sua posição, adotando, para isso, a ideia de engajamento moderado.
