- Autor
- Sérgio Luís Persch
- Revista
- Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211]
- Edição
- 4 / 10
- Ano
- 2020
- Idioma
- pt-BR
O texto aqui traduzido é de Jakob Elias Poritzky (1876-1935). Este ensaio sobre Montaigne é o primeiro capítulo de um livro chamadoGeist und Schicksal (Espírito e destino). Consiste, o projeto geral do livro, em elaboraruma série de retratos que são representativos do espírito moderno e/ou contribuemsignificativamente para o rumo que a humanidade toma, ou então, a “sina” (Schicksal)da modernidade. A postura que Poritzsky toma em relação ao que ele chama de“sina” da modernidade é bastante crítica. Tanto que, para o final do livro, ele trata doproblema do judaísmo e antissemitismo (e da cultura do ghetto) considerando-osfenômenos resultantes das tendências hegemônicas da cultura moderna. E a própriamodernidade enquanto tal, o autor inverte o sentido que ela teria atribuído a siprópria como idade esclarecida, contrapondo-a como uma recaída na obscuridadefrente às luzes renascentistas. É por isso que esses gênios que permanecem umpouco à margem das figuras que conhecemos como instituidoras propriamenteditas da modernidade (Descartes, Hobbes…), Poritzky os coloca na dianteira, comoé o caso de Montaigne e, logo na sequência, Pascal. Ele os vê como referênciascríticas e esteios de resistência frente ao que forçosamente teríamos que admitircomo uma voragem excessiva e nefasta da modernidade a nos impor uma sina bempouco desejável. Entretanto, essa atmosfera geral um tanto quanto pessimista quese depreende do livro como um todo não prejudica o tom alegre, com traços finosde ironia, que percorre as páginas e cada um dos capítulos, a exemplo deste, sobreMontaigne
