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MONTESQUIEU: TÓPICA DAS PAIXÕES E ESTILO MORALISTA

ALFREDO ATTIÉ JUNIOR

Tese
Autor
ALFREDO ATTIÉ JUNIOR
Orientador(a)
RENATO JANINE RIBEIRO
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2000
2000ALFREDO ATTIÉ JUNIOR. MONTESQUIEU: TÓPICA DAS PAIXÕES E ESTILO MORALISTA. 2000. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): RENATO JANINE RIBEIRO.4

O propósito do presente trabalho é demonstrar as implicações do estilo de Montesquieu em seu projeto político... A hipótese é a de que Montesquieu construiu seu estilo, nos moldes das formas breves difundidas no século em que nasceu, pelos moralistes, certo de sua adequação à concepção ou interpretação que empreendeu da vida pública... Pretende, primeiramente, definir esse estilo, ao procurá-lo nas leituras do século XVII de Montesquieu, inserindo nosso autor numa série literária, mostrando suas escolhas, antes de tudo, de leituras... A seguir, acertadas as contas com a escritura da obra, procurar entender o projeto político de Montesquieu, perquirindo sua escolha de leitores... O trabalho comporta uma crítica dos lugares-comuns que a tradição sedimentou em torno do autor e de sua obra, refazendo os vínculos de Montesquieu com escritores que, até aqui, têm sido vistos como combatidos por ele... Também a simplificação da interpretação (?) de sua obra política, restringindo-a a mera explicitação de mecanismos de realização e contenção do poder ou augure da teoria constitucional foi refutada para restabelecer seu estatuto perante - e seu diálogo com - seu tempo... Para tanto, refez-se a ligação entre os termos literário e político de seus escritos evitando a separação - imposta pela mesma tradição - entre o literato e o teórico, entre textos pretensamente sérios e de diversão... Em vista de tais objetivos, o trabalho foi dividido em capítulos, que explicitam temas por onde se explora a reflexão de nosso autor, tais a jurisprudência, a história e as viagens, bem como procuram descrever as leituras, o estilo e o projeto político, esclarecendo suas ligações... Ao conjunto de tais capítulos nomeou-se ensaio, seja porque tal forma pareceu mais adequada ao material legado por Montesquieu, seja porque não parece possível - e nem seria justificável a pretensão de - encerrar em uma tese as conclusões sobre uma obra que continua a desafiar nosso próprio arsenal de expectativas e questionar nosso horizonte de desejos.