Voltar para Teses
Teses

MUDANÇAS NOS CONCEITOS DE ANSIEDADE NOS SÉCULOS XIX E XX: DA ‘ANGSTNEUROSE’ AO DSM-IV

Milena de Barros Viana

Tese
Autor
Milena de Barros Viana
Orientador(a)
Richard Theisen Simanke
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2010
2010Milena de Barros Viana. MUDANÇAS NOS CONCEITOS DE ANSIEDADE NOS SÉCULOS XIX E XX: DA ‘ANGSTNEUROSE’ AO DSM-IV. 2010. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, SP. Orientador(a): Richard Theisen Simanke.1

A ansiedade tem sido objeto de interesse do pensamento ocidental há séculos. Entretanto, enquanto quadros patológicos, os chamados “estados ansiosos” apenas adquiriram proeminência na Psiquiatria, a partir dos trabalhos de Sigmund Freud, no final do século XIX. Ao estudar a ansiedade clínica, Freud separou a “Angstneurose” (“neurose de ansiedade” ou “neurose de angústia”) da neurastenia, e a ansiedade crônica, dos ataques de ansiedade. Embora as classificações clínicas propostas pela Psicanálise tenham sido relativamente bem aceitas no meio psiquiátrico até a primeira metade do século XX, nas décadas que se seguiram, alguns fatores contribuíram para reorientar o curso da Psiquiatria, em especial em direção à Biologia; dentre estes se destacam os avanços na área da psicofarmacologia. Com a chamada revolução psicofarmacológica, que tem seu início a partir da década de 60, constata-se o surgimento das abordagens nosográficas “operacionais”, em Psiquiatria, que permanecem até os nossos dias. Surgem, a partir daí, sistemas classificatórios padronizados como o DSM-III (“Diagnostic Statiscal Manual of Mental Disorders”, em sua terceira versão), que irão inaugurar uma nova era de relações entre a Psiquiatria e a Psicopatologia, muito embora os modelos explicativos imanentes a estes sistemas nem sempre se encontrem explícitos. O nascimento do transtorno do pânico enquanto categoria nosográfica está intimamente ligado a esta mudança de perspectiva, tendo em vista que se dá a partir da observação dos efeitos terapêuticos de uma droga, a imipramina, sobre alguns dos sintomas do quadro clínico. Nesse sentido, o objetivo geral do presente trabalho será examinar criticamente alguns dos conceitos de ansiedade vigentes na Psiquiatria, em particular a partir da segunda metade do século XIX até a criação do DSM-IV, dando ênfase aos possíveis modelos teóricos encontrados, subjacentes às diferentes concepções. Em uma primeira etapa, o trabalho focalizará essencialmente o momento histórico fundamental da construção do diagnóstico de “Angstneurose” por Sigmund Freud. Para tanto, será traçado um breve histórico dos termos clínicos utilizados até a época de Freud e que de alguma maneira influenciaram o surgimento desta nova entidade nosológica. Serão discutidas também questões relativas às transformações sofridas pelo conceito freudiano de ansiedade, tanto segundo um critério diagnóstico quanto conceitual, a partir de uma análise dos principais textos de Freud sobre o tema. Em um segundo momento do trabalho, será dada atenção especial ao estudo da evolução histórica daquilo que os manuais de diagnóstico psiquiátrico têm chamado de “transtornos de ansiedade”, enfatizando a reorganização que estes novos sistemas classificatórios impuseram à compreensão dos fenômenos ansiosos. Um paralelo será também traçado entre as proposições iniciais de Freud e as “novas” entidades nosológicas, encontradas nos manuais de diagnóstico em Psiquiatria. Finalmente, serão discutidos possíveis pontos de interseção – tendo por base a relação de Freud com a Biologia - entre as duas disciplinas hoje entendidas por alguns como tão diversas, Psicanálise e Psiquiatria, pontos que possam contribuir para uma compreensão mais ampla dos fenômenos mentais.