- Autor
- Arturo Fatturi
- Orientador(a)
- Bento Prado de Almeida Ferraz Neto
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2010
Ao partir do princípio de que o mundo interior (a subjetividade) e o mundo exterior (o comportamento) estão ligados entre si por relações gramaticais, esta tese analisa a gramática do vocabulário psicológico. Propõe que estas relações gramaticais devem ser esclarecidas através de uma investigação conceitual, e não por investigações, empíricas. Para que alcancemos o objetivo desejado, foi analisado o ponto de vista comum que temos de nosso mundo interior. Tal visão traça as ligações entre as nossas afirmações sobre o mundo interior e como elas adquirem significado a partir deste ponto de vista comum. O passo seguinte consistiu em analisar a concepção de privacidade que o ponto de vista comum atribui aos eventos do mundo interior. Demonstramos, após estas análises, que a concepção comum não serve de base para a construção de uma explicação filosófica do mundo interior e das afirmações que dele fazemos. Isto porque o objetivo da visão comum de nosso mundo interior não é a de elaborar uma explicação científica. Ao mesmo tempo, mostramos que nossa concepção comum do vocabulário psicológico não é uma proto-teoria que deve ser desenvolvida pela Filosofia. Com isto, abrimos caminho para apresentar o ponto de vista filosófico de Ludwig Wittgenstein sobre o vocabulário psicológico. Para que este ponto de vista fosse explicativo em relação ao nosso objetivo, apresentamos a concepção de linguagem de Wittgenstein, ligando esta concepção com o modo como Wittgenstein tratou o vocabulário psicológico. Através desta análise, mostramos que, ao tratarmos com as afirmações de nosso mundo interior – nosso vocabulário psicológico – não estamos diante de uma dicotomia entre behaviorismo e cartesianismo. Isto, pelo fato de termos outra possibilidade de tratar nossa linguagem quando nos referimos ao mundo interior. Segundo a Filosofia da Psicologia, de Ludwig Wittgenstein, o comportamento é uma expressão do mundo interior, isto é, o mundo interior se expressa através do comportamento, ainda que a este não se reduza. A partir de tal ideia, Wittgenstein propõe que a relação entre as nossas afirmações sobre o mundo interior não podem ser compreendidas de maneira isolada de nosso comportamento. Juntemos a isto que tão somente o nosso comportamento não é critério para compreensão do mundo interior Portanto, há necessidade, de que o comportamento seja considerado dentro de um jogo de linguagem específico, que consiste no uso de nossos conceitos do vocabulário psicológico.
