- Autor
- Stefany Stettler
- Revista
- Revista Enunciação
- Edição
- 9 / 1
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.61378/yeqm7v88
- Páginas
- 104 - 121
- Idioma
- pt-BR
Os conceitos de “mundo-sem-nós” e “nós-sem-mundo”, cunhados por Eduardo Viveiros de Castro e Déborah Danowski na obra Há mundo por vir? (2017), se colocados em relação aos zumbis cinematográficos, criaturas que desafiam a diferenciação cartesiana de res cogitans e res extensa por não possuírem consciência, ou seja, não terem a capacidade de reconhecimento do mundo, promovo a pergunta: como seria – emprestando a formulação de Giorgio Agamben (2006) – se não houvesse nem mundo e nem humanos, sem que com isso ecossistema e espécie deixassem de ser? É possível haver mundo-sem-nós ou nós-sem-mundo sem a diferenciação entre Natureza e Cultura? A hipótese que pretendo trabalhar ao longo do desenvolvimento deste texto é que, após investigar os conceitos propostos, poderá se concluir que as figuras cinematográficas contemporâneas dos zumbis existem pois mobilizam os mesmos conceitos dualísticos utilizados para diferenciar e hierarquizar seres que influenciaram a sua gênese no folclore pós-colonial do Haiti. Para fornecer uma resposta a essas questões, proponho uma investigação dos conceitos de “nós”, “mundo” e “reconhecimento”.
