Narciso e Biotecnologia: uma abordagem feminista decolonial das "Drogas do Amor"
Monique Pyrrho, Maria Clara Marques Dias, Izabela Amaral Caixeta
- Autor
- Monique Pyrrho, Maria Clara Marques Dias, Izabela Amaral Caixeta
- Revista
- ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy
- Edição
- 24
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5007/1677-2954.2025.e99678
- Páginas
- 01-19
- Idioma
- pt
O artigo propõe uma análise crítica da proposta de intervenções biotecnocientíficas no amor, a partir de uma perspectiva feminista decolonial. A defesa das chamadas “drogas do amor” apela à desejabilidade ética do socorro à vítima de violência doméstica. Contudo, os pressupostos de neutralidade moral das tecnologias e a racionalidade como essência da natureza humana que sustentam tal proposta, mascaram os atravessamentos de raça, classe e gênero que modulam a concretude da violência doméstica. Mais do que isso, a naturalização/biologização das diferenças entre os sexos e dos afetos humanos é usada para justificar o controle de afetos e condutas, sobretudo, das mulheres. O confronto, portanto, não se dá contra o caos afetivo ou a violência, como os defensores de tais intervenções argumentam, mas contra a possibilidade eminente de outras formas de organização social, não-hierárquicas, não-exploratórias e respeitosas dos anseios e da constituição identitária de todos os seus integrantes.
