""""NATUREZA E TEMPO EM HEIDEGGER E DELEUZE: NA PROXIMIDADE DE DOIS OLHARES ACERCA DA UNIVOCIDADE""""
TADEU TABAJARA DUARTE RODRIGUES
- Autor
- TADEU TABAJARA DUARTE RODRIGUES
- Orientador(a)
- ELENA MORAES GARCIA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2008
A presente tese pretende rediscutir e redefinir tanto o papel da natureza como do tempo no campo da Filosofia. E, paralelamente a isso, ousar dar a esses dois supracitados substratos ontológicos e/ou metafísicos, a saber, Natureza e Tempo, as suas duas maiores características positivas: o hilozoísmo e a hecceidade. No lugar de uma idéia de natureza dotada de leis inexoráveis reguladoras e deterministas reprodutoras do idêntico, apostamos e defendemos uma complexa natureza multifacetada e metamorfoseante, rica em diversidades qualitativas e repleta de surpresas potenciais. Ora, o que existe é uma ordem do inadequado, o imprevisível, a própria indeterminação, a criatividade absoluta em pessoa, algo que acaba por desembocar no plano das diferenças que se realiza como novidade. Contrapondo-se ao hilemorfismo, o hilozoísmo na sua especificidade de filosofia da natureza subjaz em um fundo materialista barroco e expressionista imprescindível para empreender uma espécie de um niilismo e garantir o lugar terapêutico de direito da filosofia. No terreno de unicidade hilozoísta, a univocidade confere a todos os entes uma mesma dignidade. E o tempo, que se locupleta com o rico conceito de hecceidade, por sua vez, está longe de se esgotar na mera concepção matemática e mecânica de um tempo absoluto, ordinário. As hecceidades representam um conceito mais abrangente do que as clássicas noções de consciência, sujeito, indivíduo, egotismo. Ambas as noções subatribuitivas de gênero – hilozoísmo e hecceidade – acabam por desvanecer a individualidade das coisas e nos fazem mergulhar salutiferamente na coletividade indistinta num fundo indiferenciado ou no informal puro, aonde somos acometidos pela plenitude da florescência do vazio luminoso. É assim que retornamos ao território das esferas primordiais do ser, aonde a natureza e o tempo funcionam como um reabrigo reunificante. Em termos do binômio Natureza-Tempo, o homem como medida e ponto de partida para todas as coisas não se sustenta, seja em níveis antropocêntricos, humanistas, egotistas, hilemórficos, mas sim em níveis ontológicos, cosmológicos, hilozoístas. Para tudo isso que foi afirmado, conferimos uma prevalência a dois dos grandes ontólogos na contemporaneidade, a saber, Martin Heidegger e Gilles Deleuze que, a nosso ver, pensaram a univocidade ou a unissonância, o hilozoísmo e a hecceidade bem próximo da idéia que tencionamos propor.
