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Necessidade temporal em Buridan e Jandun: sobre o De Caelo I.12

Guido Alt

Autor
Guido Alt
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
69 / 1
Ano
2024
DOI
10.15448/1984-6746.2024.1.45576
Páginas
e45576
Idioma
pt
2024Guido Alt. Necessidade temporal em Buridan e Jandun: sobre o De Caelo I.12. Veritas (Porto Alegre), v. 69, n. 1, p. e45576, 2024.2

O presente artigo investiga a conexão entre modalidade e tempo em dois mestres de artes Parisienses ativos na primeira metade do século 14, João Buridan (c.1290-c.1361) e João de Jandun (c.1286-c.1328). Busca-se elucidar a abordagem de ambos acerca da natureza dessa relação em um conjunto de textos pouco explorados nos debates sobre a interpretação de modalidades medievais, a saber, os comentários ao fim do primeiro livro do De Caelo de Aristóteles. A interpretação da relação entre o ‘necessário’ e o que ‘sempre é’ nesse texto recebera interpretações divergentes sobre a controversa assimilação de necessidade e omnitemporalidade em concepções pré-modernas das modalidades. Por meio da análise do debate em torno das passagens Aristotélicas do De Caelo, posto por ambos os filósofos pertencentes ao milieu da Faculdade de Artes em Paris, o artigo demonstra que tal assimilação não era consensual. Através do contraste entre as análises de Jandun e Buridan, conclui-se que, embora Buridan acomode a necessidade temporal pressuposta no De Caelo enquanto necessidade condicional, ele desenvolve uma crítica da validade geral dos argumentos de Aristóteles no que tange a modalidades absolutas.