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Nietzsche: A Fisiopsicologia Experimental ou como filosofar com o corpo para tornar-se o que se é

BÁRBARA MARIA LUCCHESI RAMACCIOTTI

Tese
Autor
BÁRBARA MARIA LUCCHESI RAMACCIOTTI
Orientador(a)
SCARLETT ZERBETTO MARTON
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2002
2002BÁRBARA MARIA LUCCHESI RAMACCIOTTI. Nietzsche: A Fisiopsicologia Experimental ou como filosofar com o corpo para tornar-se o que se é. 2002. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): SCARLETT ZERBETTO MARTON.2

O que confere unidade à obra tardia de Nietzsche, caracterizada pelos intérpretes como o período da crítica radical ao projeto filosófico da modernidade? Consideramos que, sob a tarefa da crítica iconoclasta, Nietzsche desenvolve um projeto filosófico positivo articulado em torno de uma teoria da interpretação, a qual designamos com a expressão fisiopsicologia experimental da vontade de potência. Essa teoria da interpretação - ao romper com o dualismo corpo e mente, ao criticar o discurso da representação e recusar a concepção moderna de subjetividade fundada sobre o primado da razão - lança um novo paradigma para o conhecimento, pois segue o fio condutor do corpo, sendo este definido, enquanto uma grande razão. O objetivo do trabalho é analisar os termos constitutivos dessa teoria da interpretação. No capítulo 1, abordamos os passos que antecederam a formulação da perspectiva fisiopsicológica de interpretação: a fisiologia dos impulsos como teoria que permite desdobrar, desde O Nascimento da Tragédia, a análise da psicologia das culturas. No capítulo 2, a teoria da vontade de potência é apontada como o núcleo da teoria nietzschiana da interpretação, já que a vontade de potência é definida enquanto impulso interpretante e que toda interpretação humana além de ser perspectiva parte do pressuposto da fisiopsicologia. No capítulo 3, procuramos responder se o experimentalismo é o método seguido por Nietzsche para efetivar sua perspectiva fisiopsicológica de interpretação, isto é, para tecer sua filosofia a partir das experiências vividas de """"corpo e alma"""", com o objetivo de tornar-se o que se é. No capítulo 4, analisamos o que significa filosofar com o corpo e deslindamos também a concepção nietzschiana de corpo enquanto grande razão. No capítulo 5, a genealogia é investigada à luz da perspectiva fisiopsicológica de interpretação, posto que Nietzsche parte da leitura dos sintomas manifestos na fisiologia dos corpos para proceder à análise da psicologia da moral da decadência engendrada pela vontade de verdade e pelo ideal ascético, propondo a transvaloração de todos os valores como tarefa central de sua filosofia experimental, cujo objetivo é filosofar com o corpo para superar si-mesmo e tornar-se o que se é.