Teses

Nietzsche Asceta

Mauro Araújo de Sousa

Tese
Autor
Mauro Araújo de Sousa
Orientador(a)
Peter Pál Pelbart
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2005
2005Mauro Araújo de Sousa. Nietzsche Asceta. 2005. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Peter Pál Pelbart.3

O ascetismo ficou conhecido pelos esforços dos metafísicos para alcançar seus objetivos “espirituais”. Nietzsche dedicou, em especial, uma crítica aos ideais ascéticos na III Dissertação de A Genealogia da Moral, porque a ascese tomara a “vida transcendente” como referencial de todos os valores para além desta vida, que é imanente. Uma moral ascética metafísica reforçava o dualismo “esta vida – outra vida” que Nietzsche combatia e que afirmava ter-se estabelecido filosoficamente com Platão, enquanto “moral contranatureza”. Assim, indo à origem da cultura ocidental, Nietzsche propõe que uma ascese com base na transcendência, no imutável, na “verdade”, seja revista a partir de uma perspectiva da vida, desta vida, – fluir constante, com lugar somente para a mudança, para “aparências”. Trata-se, enfim, daquilo que, no filósofo “seguidor de Dionísio”, não é outra coisa senão uma vida dionisíaca, um “baile” de forças que se organizam e se desorganizam constantemente em centros de vontades de poder, “originando” tudo o que existe, ou, em outras palavras, tudo o que aparece e tudo o que desaparece naquilo que, “normalmente”, é denominado realidade. Portanto, alguém que deseja estar “além” do que seja o comum na contemporaneidade só poderia exigir de si o máximo de auto-superação, de um domínio de si mesmo, para se realizar em uma “espiritualização” dos instintos no lugar da castração que os valores transcendentes têm proposto para o corpo como vida. Este alguém se configura em “Nietzsche asceta” que, aqui, é apresentado como asceta “dionisíaco” contra o ideal ascético.