- Autor
- Jelson R. de Oliveira
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 14 / 33
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.26694/pensando.vol14i33.4502
- Páginas
- 4-16
- Idioma
- pt
O uso estratégico e metafórico dos fenômenos vegetais é um tema recorrente na obra de Nietzsche e vem despertando o interesse de vários intérpretes de seu pensamento, que tentam conectar tais ideias àquilo que hoje se convencionou chamar de “filosofia vegetal”. Pretendemos, neste artigo, analisar um aspecto dessas aproximações, demonstrando que o perspectivismo vegetal daria nome a uma estratégia de crítica ao antropocentrismo radicado na crença na superioridade racional do ser humano, a partir da qual se ergueu a moralização da natureza. Ao aproximar o humano e o vegetal, Nietzsche não apenas critica tal tradição, como evidencia a tarefa filosófica assumida por ele mesmo: re-naturalizar a moral como medida para a recriação dos valores. Pretendemos demonstrar como isso ajuda a compreender como a planta serve de exemplo paradigmático da concepção de vida como vontade de poder, na medida em que ela se torna veículo de uma visão perspectiva da própria vida. Começaremos por abordar a crítica nietzschiana ao antropocentrismo para, a seguir, demonstrar como a aproximação entre homem e planta (na concepção de uma Pflanze Mensch) pode ser compreendida a partir de três aspectos (que são as três lições da vida vegetal): medir, crescer e resistir.
