- Autor
- ANDRÉ LUÍS MOTA ITAPARICA
- Orientador(a)
- SCARLETT ZERBETTO MARTON
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2003
Esta tese de doutorado investiga como o problema clássico da oposição entre idealismo e realismo se apresenta na filosofia de Nietzsche, mostrando como ele pretende superar tal dicotomia. Para isso, não nos limitamos a estudar as referências explícitas de Nietzsche aos termos envolvidos: procuramos, também, observar como o mencionado problema está implicitamente presente em várias questões centrais da obra do filósofo alemão, como na tensão existente entre seu intento de elaborar uma filosofia do vir-a-se e a impossibilidade lingüística de expressar esse mundo em fluxo ininterrupto...Assim, no decorrer deste trabalho, expomos, inicialmente, como o problema da oposição entre idealismo e realismo se desenvolve a partir da modernidade, em autores como Descartes, Berkeley, Kant, Schopenhauer e Lange, autores importantes tanto para a compreensão do problema quanto para uma avaliação de como ele chegou a Nietzsche. Em seguida, analisamos como o problema em questão aparece na obra de Nietzsche. Oscilando entre as duas posições em seus dois primeiros períodos, é apensas no terceiro período de sua obra que Nietzsche elabora uma filosofia que não opõe o real e o aparente, sem com isso cair em um idealismo, e que defende uma determinada interpretação do mundo, sem com isso se enredar em um realismo. Isso é feito com o conceito de vontade de potência...Compreendendo a gênese desse conceito à luz de uma polêmica tanto contra o idealismo transcendental de Schopenhauer quanto contra o realismo materialista da mecânica clássica, ressaltamos o caráter dinâmico da vontade de potência, assim como sua recusa do antropomorfismo, realizada por meio da concepção de um perspectivismo inerente ao mundo. Por fim, consideramos a vontade de potência como representante de uma filosofia do processo, maneira de entender o vir-a-ser do mundo em que as oposições entre subjetivo e objetivo, idealismo e realismo, se dissolvem...Como conclusão, indicamos como esse empreendimento da última filosofia de Nietzsche se aproxima, em linhas gerais, de recentes defesas do anti-realismo, encetadas por filósofos contemporâneos como Hilary Putnam e Nelson Goodman.
