- Autor
- Luiza Regattieri
- Revista
- Philósophos - Revista de Filosofia
- Edição
- 30 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5216/phi.v30i1.81418
- Idioma
- pt
Nos anos de 1870, Nietzsche distingue ciência e filosofia, destacando o filósofo como o ponto incontestável de seu sistema. A centralidade dada à pessoa filósofa diz respeito ao gesto próprio que a caracteriza: a transposição da intuição à imagem filosófica. O valor da filosofia estaria na ação de expressar intuições particulares em imagens pretensamente universais, porém, nem fantásticas nem demonstráveis. Tal transposição requer uma habilidade peculiar: o gosto apurado, que é apontado como a capacidade-chave do fazer filosófico. O gosto é pensado como uma perspicácia de avaliar e reter, um discernir que é característica acurada no filósofo para eleger o difícil como divino. Esse gosto limitaria o instinto de conhecimento, um impulso próprio do espírito científico, e permitiria ao filósofo selecionar um número limitado de coisas a serem conhecidas. Essa característica reguladora do gosto é uma das principais marcadoras daquilo que diferencia a filosofia da ciência, sem a transformar em arte.
