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Nós temos livre-arbítrio?

Ângelo Roberto Ilha da Silva, Daison Nelson Ferreira Dias

Autor
Ângelo Roberto Ilha da Silva, Daison Nelson Ferreira Dias
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
66 / 1
Ano
2021
DOI
10.15448/1984-6746.2021.1.38524
Páginas
e38524
Idioma
pt
2021Ângelo Roberto Ilha da Silva, Daison Nelson Ferreira Dias. Nós temos livre-arbítrio?. Veritas (Porto Alegre), v. 66, n. 1, p. e38524, 2021.2

Adotei uma abordagem experimental para essa questão. Atos de vontade livre são precedidos por uma mudança elétrica específica no cérebro (readiness potential, RP)3, que inicia 550 milissegundos antes do ato. As pessoas tomaram consciência da intenção de agir 350-400 milissegundos depois do início do RP e 200 milissegundos antes do ato motor. O processo volitivo é, portanto, iniciado inconscientemente. Mas a função consciente ainda poderia controlar o resultado; pode vetar o ato. O livre-arbítrio não é, portanto, excluído. Essas descobertas impõem restrições às visões de como o livre-arbítrio pode operar; não faria iniciar um ato voluntário, mas poderia controlar a realização. As descobertas também afetam perspectivas de culpa e responsabilidade.