Εργου καιρον: notas de Marx sobre a divisão do trabalho em Platão
Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes
- Autor
- Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes
- Revista
- Journal of Ancient Philosophy
- Edição
- 19 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.11606/issn.1981-9471.v19i2p40-59
- Páginas
- 40-59
- Idioma
- pt-BR
No Capital de Karl Marx podemos ler uma longa nota tratando de uma passagem da República de Platão, mais especificamente do Livro II na parte em que Sócrates está a fundar a cidade no discurso (369c-370d). Marx utiliza a passagem para exemplificar o ponto de vista dos antigos com relação à divisão social do trabalho. O intuito de Marx é estabelecer uma crítica ao modo de produção capitalista e à divisão do trabalho entre os modernos tal como ela se apresenta no sistema manufatureiro da sociedade burguesa. Segundo Marx, há uma apropriação do capital sobre tempo de trabalho social, transformando trabalhadores integrais em trabalhadores parciais e unilaterais a partir da decomposição de uma atividade artesanal em suas diversas operações fragmentadas. Desse modo, o trabalhador perde a sua autonomia e a sua capacidade de conhecer a totalidade do ofício para se tornar uma mera engrenagem de um mecanismo total que a ele pertence. Nosso intuito é analisar a passagem em que Marx fala da divisão do trabalho na República de Platão e do tempo oportuno para se fazer a obra para não a perder [ἔργου καιρὸν διόλλυται]. Para Platão, a divisão do trabalho é necessária para o desenvolvimento social do ser humano e do papel de cada um dentro da cidade. A partir dessa visão, pretendemos investigar a passagem dentro da própria obra de Platão e relacionar com a interpretação feita por Marx.
