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NOTAS SOBRE A RECEPÇÃO DO PENSAMENTO DO MARQUÊS DE SADE PELO PÓS-ESTRUTURALISMO

Guilherme Grané Diniz

Autor
Guilherme Grané Diniz
Revista
Sapere Aude
Edição
3
Ano
2026
DOI
10.5752/P.2177-6342.2026v3n3p217-237
Páginas
217-237
Idioma
pt
2026Guilherme Grané Diniz. NOTAS SOBRE A RECEPÇÃO DO PENSAMENTO DO MARQUÊS DE SADE PELO PÓS-ESTRUTURALISMO. Sapere Aude, v. 3, p. 217-237, 2026.3

É comum no campo da História da Filosofia Contemporânea considerar o pensamento pós-estrutural como sendo antimoderno. O projeto filosófico de autores como Foucault, Deleuze ou Derrida passa, em partes, pela crítica da modernidade. Não obstante, a relação positiva entre suas obras e as de certos pensadores associados ao séc. XVIII e às Luzes não pode ser subestimada. A recepção do pensamento do Marquês de Sade no séc. XX ilustra bem essa tese. Uma leitura simples de algumas obras do primeiro momento do pós-estruturalismo, como A História da Loucura ou O Prazer do Texto, permite ver que o debate sobre a obra de Sade era central. A análise dessas obras mostra que a marca deixada por Sade é ainda mais profunda que essa primeira leitura permite antever: além de conceitual, ela é formal. Para demonstrá-lo, propomos, neste artigo, realizar uma breve retomada do discurso ordinário da História da Filosofia acerca desse momento pós-estrutural. Em seguida, procederemos a uma análise de passagens nas obras de Foucault, Barthes e Lacan.