Voltar para Artigos
Artigos

Notas sobre uma psicologia kierkegaardiana do inconsciente

Natalia Mendes Teixeira

Autor
Natalia Mendes Teixeira
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
15 / 1
Ano
2023
DOI
10.25244/tf.v15i1.4829
Páginas
97-109
Idioma
pt
2023Natalia Mendes Teixeira. Notas sobre uma psicologia kierkegaardiana do inconsciente. Trilhas Filosóficas, v. 15, n. 1, p. 97-109, 2023.2

A descoberta freudiana do inconsciente (Das Unbewusste) revelou a existência de pensamentos e sentimentos não necessariamente amparados pela consciência ativa do sujeito: os estados mentais não-conscientes. Os pseudônimos de Kierkegaard, especialmente os de nível estético, frequentemente são nomeados como inconscientes de sentimentos e pensamentos que os regulam e, no projeto de Kierkegaard, esse fato assume a significação de que estão, na verdade, inconscientes do próprio self: mas, como pode alguém estar inconsciente de seu próprio self e dos estados ativos que amparam sua própria consciência? Se considerarmos que pensar e sentir estão no nível da consciência ativa do sujeito, como ocorrem sem ela? Que tipo de consciência é esta que não ampara todos os sentimentos, pensamentos e representações ou que não os ampara completamente? Ou seja, que consciência é esta que porta, nela mesma, sua própria negatividade ou a condição de sua contradição? Quando descreve suas personagens estetas como não conscientes do próprio self, Kierkegaard está abrindo precedentes para considerarmos que há uma psicologia kierkegaardiana do inconsciente?